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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Análise: Chão de Giz - Zé Ramalho


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Chão de Giz é uma música brasileira lançada em 1978 que, mesmo possuindo uma linguagem de difícil compreensão e cheia de metáforas, ainda desperta o fascínio e a curiosidade de muitos jovens.

É possível acreditar que a canção discorre sobre um amor não correspondido e o fim deste relacionamento. 

A explicação dada pelo compositor (Zé Ramalho), traz uma análise pessoal e intimista sobre os fatos:

Ainda jovem morando na cidade de João Pessoal – PB relacionou-se com uma mulher mais velha, casada e que cumpria o seu papel feminino como parte da alta sociedade paraibana (seguindo e estando a disposição do marido). Se conheceram durante o carnaval e surgiu entre os mesmos uma paixão avassaladora. Infelizmente, esta mulher nunca poderia abandonar um casamento valioso e aceito socialmente para se envolver com um jovem que não possuía nada (bens e riquezas). Ela tinha-o apenas para o seu deleite e bel prazer. Assim, apesar do apego e sentimentos de Zé, o caso foi terminado. Este ficou triste por muito tempo e descreveu esse período em trechos de sua canção.

Interpretação da música:
“Eu desço desta solidão e espalho coisas sobre um chão de giz”
Esse trecho fundamenta o sofrimento vivenciado ao ver as lembranças que, postam ao chão traçavam sua história e que, tão rapidamente, iriam se esvair. O relacionamento foi tão fugaz quanto o giz pode ser apagado do chão. 
 “Há meros devaneios tolos, a me torturar”
Devaneios e lembranças de um amor frustrado, passageiro e unilateral que o causam uma dor profunda. A recordação do passado é cruel e torturante.
Fotografias recortadas de jornais de folhas amiúdes”
Um indicio de que a mulher citada era parte da alta sociedade é o hábito de colecionar as fotos da sua amada que saía nas colunas sociais – fato este, por admiração à sua beleza ou para sentir-se como conhecedor dos seus gostos e prazeres.
“Eu vou te jogar num pano de guardar confetes”
Pano de guardar confetes são sacos típicos das costureiras do Nordeste, nos quais guardam retalhos de pano ou papel.  Neste caso, o compositor refere que vai guardar estas lembranças para esquecê-la e se ausentar da dor.
“Disparo balas de canhão, é inútil, pois existe um grão-vizir”
Grão-vizir era um ministro e conselheiro do rei na antiga Pérsia, figura de grande renome e importância social. Com essa frase, o autor indica que possui a vontade de lutar por ela, mas que vê inútil, pois, em sua vida, existe alguém influente, rico e poderoso, com quem ele não pode pleitear.
“Há tantas violetas velhas sem um colibri”
Ele traduz a relação dos dois em uma metáfora. Há tantas violetas velhas (como ela, mais velha e madura) sem um colibri (como ele, juvenil, vivaz). Desta forma, ele diz que existem muitas pessoas mais velhas que não têm alguém mais jovem a lhe admirar. 
“Queria usar, quem sabe, uma camisa de força ou de vênus”
Este verso mostra a dualidade do sentimento de Zé Ramalho, onde ele traz a loucura e a paixão; a vontade de estar longe e esquecê-la e a vontade de estar perto e se entregar. 
“Mas não vou gozar de nós apenas um cigarro. Nem vou lhe beijar, gastando assim o meu batom”
Ele indica nestas frases o breve e passageiro momento de prazer que tiveram – onde profundo e sensível amor que sente é correspondido por um momento de tesão, onde o gozo dura apenas o tempo de se fumar um cigarro. Para quê então o carinho, se ela quer apenas sexo?
“Agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra vez…”
Representa a tomada de decisão sobre ir embora e abrir mão deste sentimento. Entretanto, ao escolher partir, vai novamente à lona – expressão que significa ir a nocaute no boxe, mas também significa a lona do caminhão, a partida e a despedida.
“Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar. Meus vinte anos de ‘boy’ – that’s over, baby! Freud explica”
Retrata a dependência e a prisão ao qual este sentimento se tornou, impedindo-o de ser melhor, de seguir. Ele se viu como um “menino”, incapaz de se portar e ser firme nas escolhas. “Terminou, querida”, simboliza que o laço que os unia foi cortado.
“Quanto ao pano dos confetes, já passou meu carnaval. E isso explica porque o sexo é assunto popular”

Reconhece que poderia ser como uma fantasia (para ambas as partes), mas que ele estava disposto a superar, deixar no passado e fazer com que não tivesse importância ou significado.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Análise: Conversa de botas batidas - Los Hermanos





- Veja você onde é que o barco foi desaguar
- A gente só queria um amor
- Deus parece às vezes se esquecer
- Ai, não fala isso por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho
Prepara uma avenida
Que a gente vai passar

- Veja você, quando é que tudo foi desabar
- A gente corre pra se esconder
E se amar se amar até o fim
Sem saber que o fim já vai chegar

Deixa o moço bater 
Que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos
Pra um amor de tantas rugas
Não ter o seu lugar

Abre a janela agora
Deixa que o sol te veja
É só lembrar que o amor é tão maior
Que estamos sós no céu
Abre as cortinas pra mim
Que eu não me escondo de ninguém
O amor já desvendou nosso lugar
E agora está de bem

Diz quem é maior
Que o amor
Me abraça forte agora
Que é chegada a nossa hora
Vem vamos além
Vão dizer
Que a vida é passageira
Sem notar que a nossa estrela
Vai cair




A composição foi criada a partir de uma reportagem em um jornal local da cidade do Rio de Janeiro que contava sobre um desmoronamento de um hotel onde, entre os escombros, foi encontrado um casal: dois velhinhos, abraçados e mortos. Marcelo Camelo traz devaneios românticos sobre uma paixão arrebatadora entre dois jovens que por motivos não citados são proibidos de viver um amor tão compreensível e gracioso, então, ao se reencontrarem decidem não abrir mão do outro e de si mesmos, pois a infelicidade não poderia mais se fazer presente. Esse amor de tantas rugas teria por fim o seu lugar. Encontravam-se escondidos e sentindo esse amor que se fez presente pouco antes de suas mortes e o retrato doloroso no fragmento da música: E se amar se amar até o fim, sem saber que o fim já vai chegar. Propõe a reflexão sobre o quanto se perde somente na espera, no medo, nas não tentativas de mudança; os jovens perderam a capacidade de arriscar por amor; o medo está intrínseco aos relacionamentos e não se percebe que somente após tentar é que se ganha ou se perde. No momento do desabamento, alguém bateu à porta avisando sobre os riscos e a necessidade de sair do local. Há, no entanto, duas possibilidades de interpretação: eles temiam terem sido descobertos e optaram por não sair ou apenas decidiram morrer juntos pois o amor os desvendou por completo e lhes deu a chance de sentir a plenitude em outro plano. A vida é passageira, afirma. Por vezes esquecemos deste simples detalhe: a vida é como um sopro, uma história rapidamente contada. Cabe então a nós fazermos desta vida um deslumbrante espetáculo. Buscar a felicidade a todo custo e lutar por ela. Não deixar que nos roubem, que nos firam, que afastem de nós o amor. É chegada a nossa hora e o que resta? As pessoas que amamos.

Análise: Flor de Lis – Djavan




Uma música com linguagem simples, que conta a história da dor de um homem e do poder de uma mulher, abordando um tema bem comum no cotidiano: relacionamentos.

Valei-me Deus, é o fim do nosso amor
Perdoa por favor, eu sei que o erro aconteceu
Mas não sei o que fez tudo mudar de vez
Onde foi que eu errei
Eu só sei que amei, que amei, que amei, que amei

O eu-lírico da canção mostra a tristeza pelo fim de um relacionamento, a guerra contra si mesmo por não conseguir identificar o erro que cometeu e por perceber as duras consequências, implorando por perdão. Indica a dúvida sobre como se pode perder tão bruscamente alguém que se ama e não se encontrar meios de reconquistá-la.

Será, talvez, que minha ilusão
Foi dar meu coração com toda força
Prá essa moça me fazer feliz
E o destino não quis
Me ver como raiz de uma flor de liz

Neste momento passa então a buscar justificativas para a situação a qual vive e a dor que sente ao perder este amor. Questiona-se sobre a entrega profunda ao outro sem medo, dúvidas e apenas por este sentimento que ocasionou as decepções ao final. Tenta encontrar o erro na forma como se permitiu amar sem saber se daria certo, se a faria feliz ou se a outra pessoa estaria disposta a fazê-lo feliz. Compara a amada à flor de lis com as características de alguém raro, poderoso, fiel, leal, honroso e amável, que o destino insistiu em afastar de si.

E foi assim que eu vi nosso amor na poeira, poeira
Morto na beleza fria de Maria
E o meu jardim da vida ressecou ou morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu


A beleza de Maria então transforma-se de bela flor a frio aço. Insensível e desprezível. O jardim refere-se ao cuidado e a atenção que não pôde ser vivenciado no futuro pois acabou em pedaços com a desilusão do amor de Maria, onde após ela, nunca foi capaz de amar ninguém.

sábado, 26 de setembro de 2015

Top 5: Ana Carolina

 "homossexualidade, mediunidade e voz, todo mundo tem. Mas, só alguns desenvolvem."


01: Confesso

 
02: Quem de nós dois
 
 
03: Encostar na tua
 
 
04: Garganta
 
 
05: Nua
 
 

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Artigo: MPB

MPB é uma sigla derivada da expressão Música Popular Brasileira, é um gênero musical brasileiro. A MPB surgiu como segunda geração da Bossa Nova a partir de 1966. A MPB na época era a fusão de dois movimentos musicais divergentes, a Bossa Nova e o engajamento folclórico dos Centros Populares de Cultura da União Nacional dos Estudantes, a Bossa Nova defendia a sofisticação musical e o CPCUNE a fidelidade da música de raiz brasileira. A união se deu por conta dos propósitos que se misturaram, e com o golpe de 64, os dois movimentos se tornaram uma frente ampla cultural contra o regime militar.
Em 1965 fora realizado o "I Festival de Música Brasileira", recebido com muito sucesso pelo público. A partir dali, difundiram-se artistas novatos, filhos da Bossa Nova, como Geraldo Vandré, Taiguara, Edu Lobo e Chico Buarque de Hollanda, que apareciam com frequência em festivais de música popular. Diante do Sucesso do festival, no ano seguinte, foi promovido a segunda edição do evento, o "II Festival de Música Brasileira", o qual teve grande repercussão e êxito. Vencedoras do II Festival de Música Popular Brasileira, (São Paulo em 1966), Disparada, de Geraldo, e A Banda, de Chico, podem ser consideradas marcos desta ruptura e mutação da Bossa para MPB. Por conseguinte, em 1967, é realizado "III Festival de Música Popular Brasileira", a versão mais famosa de todas.
O elemento mais antigo que a MPB tem emprestado da Bossa Nova é a critica a repressão do governo e a injustiça social,  muitas vezes baseadas em oposição de cunho progressista à cena política caracterizada peladitadura militar , a concentração da propriedade da terra, e imperialismo.
a década de 1970, vários músicos começam a fazer sucesso nos quatro cantos do país. Nara Leão grava músicas de Cartola e Nelson do Cavaquinho. Vindas da Bahia, Gal Costa e Maria Bethânia fazem sucesso nas grandes cidades. O mesmo acontece com Djavan, Fafá de Belém, Clara Nunes, Belchior e Fagner, Alceu Valença e Elba Ramalho. No cenário do rock brasileiro destacam-se Raul Seixas e Rita Lee. No cenário funk aparecem Tim Maia e Jorge Ben Jor.
Hodiernamente a MPB ainda é um gênero em alta, permanecendo com nomes renomados como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e entre outros, no entanto encontrasse novos nomes que estão surgindo no meio da MPB e fazendo bastante sucesso, como: Tiê, Céu, Tulipa Ruiz, Luisa Maita, Maria Gadú, Mariana Aydar, Roberta Sá, Karina Buhr, Ana Cañas e Luiza Possi.