
Chão de Giz é uma
música brasileira lançada em 1978 que, mesmo possuindo uma linguagem de difícil
compreensão e cheia de metáforas, ainda desperta o fascínio e a curiosidade de
muitos jovens.
É possível acreditar
que a canção discorre sobre um amor não correspondido e o fim deste
relacionamento.
A explicação dada
pelo compositor (Zé Ramalho), traz uma análise pessoal e intimista sobre os
fatos:
Ainda jovem morando
na cidade de João Pessoal – PB relacionou-se com uma mulher mais velha, casada
e que cumpria o seu papel feminino como parte da alta sociedade paraibana
(seguindo e estando a disposição do marido). Se conheceram durante o carnaval e
surgiu entre os mesmos uma paixão avassaladora. Infelizmente, esta mulher nunca
poderia abandonar um casamento valioso e aceito socialmente para se envolver
com um jovem que não possuía nada (bens e riquezas). Ela tinha-o apenas para o
seu deleite e bel prazer. Assim, apesar do apego e sentimentos de Zé, o caso
foi terminado. Este ficou triste por muito tempo e descreveu esse período em
trechos de sua canção.
Interpretação
da música:
“Eu
desço desta solidão e espalho coisas sobre um chão de giz”
Esse
trecho fundamenta o sofrimento vivenciado ao ver as lembranças que, postam ao
chão traçavam sua história e que, tão rapidamente, iriam se esvair. O
relacionamento foi tão fugaz quanto o giz pode ser apagado do chão.
“Há
meros devaneios tolos, a me torturar”
Devaneios
e lembranças de um amor frustrado, passageiro e unilateral que o causam uma dor
profunda. A recordação do passado é cruel e torturante.
“Fotografias recortadas de jornais de
folhas amiúdes”
Um
indicio de que a mulher citada era parte da alta sociedade é o hábito de
colecionar as fotos da sua amada que saía nas colunas sociais – fato este, por
admiração à sua beleza ou para sentir-se como conhecedor dos seus gostos e
prazeres.
“Eu
vou te jogar num pano de guardar confetes”
Pano
de guardar confetes são sacos típicos das costureiras do Nordeste, nos quais
guardam retalhos de pano ou papel. Neste caso, o compositor refere que
vai guardar estas lembranças para esquecê-la e se ausentar da dor.
“Disparo
balas de canhão, é inútil, pois existe um grão-vizir”
Grão-vizir
era um ministro e conselheiro do rei na antiga Pérsia, figura de grande renome
e importância social. Com essa frase, o autor indica que possui a vontade de
lutar por ela, mas que vê inútil, pois, em sua vida, existe alguém influente,
rico e poderoso, com quem ele não pode pleitear.
“Há
tantas violetas velhas sem um colibri”
Ele
traduz a relação dos dois em uma metáfora. Há tantas violetas velhas (como ela,
mais velha e madura) sem um colibri (como ele, juvenil, vivaz). Desta forma,
ele diz que existem muitas pessoas mais velhas que não têm alguém mais jovem a
lhe admirar.
“Queria
usar, quem sabe, uma camisa de força ou de vênus”
Este
verso mostra a dualidade do sentimento de Zé Ramalho, onde ele traz a loucura e
a paixão; a vontade de estar longe e esquecê-la e a vontade de estar perto e se
entregar.
“Mas
não vou gozar de nós apenas um cigarro. Nem vou lhe beijar, gastando assim o
meu batom”
Ele
indica nestas frases o breve e passageiro momento de prazer que tiveram – onde
profundo e sensível amor que sente é correspondido por um momento de tesão,
onde o gozo dura apenas o tempo de se fumar um cigarro. Para quê então o
carinho, se ela quer apenas sexo?
“Agora
pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra vez…”
Representa
a tomada de decisão sobre ir embora e abrir mão deste sentimento. Entretanto,
ao escolher partir, vai novamente à lona – expressão que significa ir a nocaute
no boxe, mas também significa a lona do caminhão, a partida e a despedida.
“Pra
sempre fui acorrentado no seu calcanhar. Meus vinte anos de ‘boy’ – that’s
over, baby! Freud explica”
Retrata
a dependência e a prisão ao qual este sentimento se tornou, impedindo-o de ser
melhor, de seguir. Ele se viu como um “menino”, incapaz de se portar e ser
firme nas escolhas. “Terminou, querida”, simboliza que o laço que os unia foi
cortado.
“Quanto
ao pano dos confetes, já passou meu carnaval. E isso explica porque o sexo é
assunto popular”
Reconhece que poderia ser como uma fantasia (para ambas as
partes), mas que ele estava disposto a superar, deixar no passado e fazer com
que não tivesse importância ou significado.
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